Chamada para dossier: “Artivismo: poéticas e performances políticas na rua e na rede”

http://cadernosaa.revues.org/812

Coordenadores: Paulo Raposo (CRIA-ISCTE/IUL) e John Dawsey (NaPedra/USP)

Deadline para envio de artigos: 31.1.2015

Artivismo é um neologismo conceptual ainda de instável consensualidade quer no campo das ciências sociais, quer no campo das artes. Apela a ligações, tão clássicas como prolixas e polémicas, entre arte e política e estimula os destinos potenciais da arte enquanto ato de resistência e subversão. Artivismo refere-se a intervenções sociais e políticas, produzidas por pessoas ou coletivos, através de estratégias poéticas e performativas. A natureza estética e simbólica do artivismo propõe-se amplificar, sensibilizar, refletir e interrogar temas e situações num dado contexto histórico e social, visando a mudança ou a resistência. Artivismo consolida-se assim como causa e reivindicação social e simultaneamente como ruptura artística – nomeadamente, pela proposição de cenários, paisagens e ecologias alternativas de fruição, de participação e de criação artística.

A utilização de inúmeras linguagens e plataformas para explicitar, comentar e expressar visões do mundo e de produzir pensamento crítico, multiplica o espectro do artivismo a partir do qual é possível intervir poética e performativamente e constituir espaços de comunicação e de opinião no campo político – arte de rua, ações diretas, performances, vídeo-art, rádio, culture jamminghacktivismsubvertising, arte urbana, manifestos e manifestações ou desobediência civil, entre outras. Recentemente temos assistido a mobilizações populares massivas e a ações performativas insurgentes procurando reivindicações plurais, despertando novas geometrias de cidadania e participação política e a revelando explosões de inventividade e criatividade.

Procuramos aqui questionar que tipo de articulação existe entre artivismo e os chamados novíssimos movimentos sociais (Gohn 2009; Raison 2009; Juris et all 2011) ou a emergência de coletivos cidadãos que desejam participar mais ativamente nas decisões sobre as suas vidas. Acolhemos artigos que possam abordar as seguintes questões: Como se constitui através do artivismo o direito a “reclamar a cidade” (a polis) ou a emancipar discursos contra-hegemónicos ou de contra-cultura (Harvey 2008, Lefèvre 1968, Rancière 2005)? Como equacionar o artivismo enquanto insurgência política que não contendo propriamente um plano de transformação social é o rastilho para se começar a viver o que se sonha (Arditi 2012, Holston 2007)? Que conexões se buscam entre poéticas e performances no espaço público e no ciberespaço (Castells 2009, Downing 2001, Reguillo 2005)? E de que modo o artivismo encontra no mundo digital um território amigável para se tornar viral e simultaneamente para se constituir como um arquivo de documentação performativa política (Taylor 2003)?

Informações acerca das diferentes secções da revista e as normas para submissões ver: http://cadernosaa.revues.org/237

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About Andreia Sofia Paixao

I’m an architect but at the moment I’m doing a PhD in the “Architecture of Contemporary Metropolitan Territories” at the University Institute of Lisbon (ISCTE-IUL). I have worked teaching children in a primary school, in performance studies and as a production assistant in dance and events on ecological themes. PhD Researcher _ Architecture / Contemporary Dance / Permaculture My research is situated at the intersection of architecture, landscape architecture, public art and urban development.

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